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Jeshua canalizado por Pamela Kribbe
Esta canalização ocorreu no dia 10 de outubro de
2004 na sala da nossa clínica em
Tilburg. O texto falado foi revisado depois, para facilitar a
leitura.
Queridas pessoas, é um grande prazer estar com
vocês outra vez.
Quando estou com vocês e falo através da Pamela,
Eu sinto a sua presença e vejo-os como energias de luz, buscando seu caminho
através de um mundo escuro, onde vocês muitas vezes se encontram com
dificuldades e com energias com as quais vocês talvez não saibam lidar.
Vocês todos são bravos guerreiros. A simples
presença de vocês num corpo físico na Terra já fala da sua grande coragem e
disposição para lutar contra as energias escuras e os obstáculos que vocês
encontram dentro de si mesmos. Pamela está preocupada com a palavra “lutar” que
Eu uso aqui. Mas Eu ainda uso esta palavra aqui, porque vocês são lutadores, de
uma certa maneira; lutadores que superam as dificuldades, não só com o amor do
coração, mas também com a espada do discernimento.
Ter discernimento significa ser capaz de
reconhecer claramente quando as energias não estão em harmonia com as suas
(para que possam deixar que elas saiam do seu campo de energia). O
discernimento é a energia da espada, a energia masculina, e a sua importância,
sob o ponto de vista do tema que vou discutir hoje, é enorme.
Quero falar sobre o período de transição, como
vocês o chamam, o período que algumas vezes é chamado de transição de Peixes
para Aquário, ou da Terceira para a Quinta dimensão. Vocês têm inventado muitos
nomes para a transição de energia que atualmente está ocorrendo na sua esfera
terrena.
Eu não gosto de falar dessa transição em termos
de acontecimentos externos, em termos de predições sobre o que vai acontecer na
sua Terra – por exemplo, sobre o número de terremotos ou desastres que deveriam
acontecer antes que a mudança se complete.
Eu quero falar sobre a mudança do coração.
Em muitos de vocês, existe uma necessidade de
uma certa segurança. Por essa razão, muitas vezes vocês confiam em teorias de
transição e predições que vocês lêem ou das quais ouvem falar. Vocês se deixam
levar por motivos de medo e/ou curiosidade. Mas, ao fazerem isso, algumas vezes
vocês perdem de vista o fato de que muitas energias obscuras podem estar
associadas a essas predições.
Portanto, Eu lhes peço que, quando vocês lerem
sobre predições para o futuro, sobre este período de transição, sempre
perguntem qual é a fonte disso. Perguntem isso com o seu coração, simplesmente
sentindo de que fonte energética vêm essas especulações, essas teorias de
transição. Usem a espada do seu discernimento!
Eu realmente os encorajo a compreender este
período de transição em termos de transformação interna.
Assim Eu falo da transição da consciência
baseada no ego para a consciência baseada no coração. Eu descrevi esta transformação interna em detalhes, na série
Trabalhadores da Luz, que está no site da Pamela e do Gerrit. Eu falo nestes
termos, porque se trata de uma transição que todos vocês podem sentir dentro de
si mesmos. Não há nada fora de vocês que vocês precisem para essa mudança, e
não há nada fora de vocês que possa impedi-los de passar por ela. Inclusive,
não existe nenhum “prazo final”, nenhum momento em que alguma coisa tenha que
ter sido “feita” a tempo. É uma transição interna que você, pessoalmente e
singularmente, está fazendo, passo a passo.
Nesta canalização, Eu gostaria de ilustrar o
processo de transformação (do ego ao coração) através de uma questão com a qual
todos vocês estão profundamente envolvidos: o relacionamento com a sua própria
família de nascimento. A forma como vocês se relacionam com a sua família diz
muito sobre o seu próprio progresso na transição da consciência baseada no ego
para a consciência baseada no coração.
O seu nascimento aqui na Terra pode ser
comparado a uma espécie de queda na escuridão, mas não ligado a qualquer
associação com pecado e culpa. É realmente um mergulho na profundeza, que vocês
fazem conscientemente a partir de um determinado nível da sua alma. Entretanto,
no momento em que vocês afundam, vocês estão num estado de não-saber, pois
então vocês estão submergidos no mundo da matéria. Nesse momento, cada um de
vocês chegou no útero da sua mãe.
Por um lado, vocês carregam consigo uma energia
muito brilhante, a energia do Lar. Vocês ainda se lembram como era do Outro
lado, vocês se lembram do amor que vocês sentiam naturalmente à sua volta e a
ligação com tudo que existe, com tudo que vive.
Essas energias do Lar ainda permanecem muito
fortemente com vocês, quando vocês descem à Terra como um embrião. Mas, ao
mesmo tempo, vocês são confrontados com aquilo que Eu chamo de “o paradigma dos
pais”.
Paradigma é uma palavra que significa o mesmo
que ponto de vista do mundo, mas abrange muito mais do que isso. Ela não só
contém os pensamentos e convicções dos seus pais, mas também os sentimentos
deles, suas emoções mais profundas. Todo esse “ninho seguro” é o paradigma onde
vocês mergulham como uma nova alma que vem para a Terra, no começo de uma nova
encarnação.
Vocês submergem na realidade da “terceira
dimensão”, ou como Eu a chamaria: o mundo da consciência baseada no ego,
conforme é representado nos pais. Esta é uma realidade energética na qual
predominam certas ilusões.
Quero citar aqui as três ilusões mais
importantes.
A perda da maestria. A primeira ilusão é a da perda da maestria. Esta
ilusão faz com que vocês se esqueçam, enquanto moram, trabalham e estão vivos
na Terra, que vocês são os criadores de tudo que acontece na sua vida. Vocês
não reconhecem as coisas que acontecem na sua vida como sendo suas próprias
criações. De vez em quando, vocês sentem que são vítimas. Vocês acreditam que
existem poderes maiores do que vocês, que podem determinar e moldar a vida de
vocês. Isto é a perda da maestria.
A perda da unidade. Então, com o mergulho na profundeza – aquele
mergulho para dentro do paradigma dos seus pais, que têm vivido na ilusão há um
bocado de tempo – acontece também a perda da unidade com tudo que vive. A
compreensão da unidade entre vocês e os “outros” se perde para vocês. Dentro da
consciência baseada no ego, existe a convicção de que todos nós somos separados
uns dos outros, cada um num corpo separado. Existe a crença de que nós vivemos
nesse corpo e que dá um trabalho contatar o outro. É a ilusão de que o corpo é
uma prisão. Esta é a segunda ilusão.
A perda do amor. E a terceira ilusão que Eu gostaria de citar
aqui é a da perda do amor. Na esfera da qual vocês vieram para a Terra, a
energia do amor era um alimento auto-evidente. Quando vocês vêm para cá, para
um mundo relativamente escuro, onde existe muita falta de amor, vocês começam a
confundir o amor com todo tipo de energia que não é amor, como a admiração da
dependência emocional. Eu voltarei a esta confusão mais adiante, nesta
canalização.
Agora, Eu gostaria de leva-los àquele momento em
que vocês nascem aqui, um pé ainda no céu, e o outro na Terra, naquele
paradigma no qual vocês não se ajustam muito bem. Existem sempre alguns pontos
específicos, nos quais os seus pais estão muito presos no paradigma. Também
existem alguns pontos em que eles estão livres dele, isto é, existem aspectos
nos quais a energia do coração foi liberada neles. Mas há sempre alguns pontos
em que eles estão muito presos no paradigma da consciência baseada no ego.
E então vocês chegam, fresquinhos, por assim
dizer, do céu. O que acontece em seguida, no desenvolvimento da criança em
relação aos pais, é que, a princípio, ela vai se ligar fortemente ao paradigma
dos pais, e depois começa a se soltar dele devagar, conforme vai ficando mais
velha. Este processo de crescimento tem muita afinidade com a transição da
energia do ego para a energia do coração, que está acontecendo na consciência
coletiva da humanidade como um todo.
O mesmo que está acontecendo numa grande escala
também está acontecendo numa escala menor, no nível do individual. A transição
da consciência baseada no ego para a baseada no coração, no nível micro,
geralmente vem transcender as energias limitadoras, carregadas de medo, que
vocês receberam dos seus pais, na infância.
Gosto de descrever esta transformação da
consciência numa escala menor – através da descrição do relacionamento entre os
pais e a criança, por exemplo – porque é muito fácil vocês todos reconhecerem-na no nível da
experiência pessoal. Não gosto de predições e declarações que não estejam
sintonizadas com a experiência, que não possam ser reconhecidas pelo seus
próprios corações, pelos seus próprios sentimentos. É por isto que Eu lhes peço
outra vez: quando vocês lerem ou ouvirem alguma coisa sobre o período de
transição, por favor questionem-na com seus corações e vejam se elas se ajustam
às suas próprias experiências. Porque vocês não são mais estudantes, vocês
todos são mestres. A sua própria experiência é a pedra de toque.
Os seus corações estão repletos de sentimentos
intuitivos, suaves e ternos, a respeito do que virá a acontecer. Confiem neles.
A forma em que esta mudança interior da consciência se mostrará externamente,
na realidade física da Terra, não é assim tão importante. Chegaremos lá, quando
chegarmos lá. É o passo do coração, o passo interno, no reino das emoções, o
que realmente conta na transição para a Nova Era.
No momento em que vocês começam a vida aqui na
Terra, vocês entram em contato com a realidade em primeiro lugar através dos
seus pais. Na sua chegada aqui, vocês trazem consigo a lembrança do Lar e têm
uma leve sensação de saudades de casa. Nós já mencionamos o trauma do
nascimento cósmico (veja a terceira canalização desta série) que vocês carregam
consigo, como almas, desde o começo da sua jornada através de todas as vidas na
Terra e em outros lugares. Mas, toda vez que vocês começam a vida como uma
criança, numa encarnação específica na Terra, ocorre também um trauma de
nascimento – principalmente no sentido psicológico, por terem que se despedir
do Lar a cada vez, e pela necessidade de se ajustarem à energia da Terra e
encontrarem o seu caminho nessa energia.
No momento do seu nascimento, seus pais
pertencem à energia da Terra. Eles já se adaptaram a esta dimensão e às leis
que são impostas aqui. Geralmente estas leis são limitadoras, na área de normas
sociais e idéias que os pais absorveram intensamente, e que não são, de jeito
nenhum, auto-evidentes para a criança.
Assim, para a criança, os pais representam a
consciência baseada no ego, o paradigma das três ilusões. A criança entra em
contato com elas através do lar paterno; e a maneira como este paradigma tomou
forma em seus pais irá influenciar intensamente essa criança, pelo resto da sua
vida.
Pamela está me pedindo para acrescentar uma
observação aqui, para que os pais não sejam vistos de uma forma negativa: é
lógico que os pais também já foram crianças um dia, e que também passaram pelo
mesmo processo. Os pais não impõem conscientemente os seus medos e ilusões aos
seus filhos. Seja como for, no estágio em que eles próprios têm seus filhos, os
adultos já absorveram involuntariamente muitas energias do velho paradigma
baseado no ego, o paradigma que é formado pelas três ilusões citadas acima.
A criança entra nisso nova em folha e percebe
que a realidade não está de acordo e nem em harmonia com aquilo que ela estava
acostumada. Nessa fase bem inicial da sua vida, a criança se encontra num
estado de consciência muito passivo. Seu ser, sua mente e seus sentimentos
estão muito abertos, e ela absorve tudo que a cerca. Principalmente nos três
primeiros meses, a capacidade da criança de absorver é incrível. Ela assimila
toda a realidade energética do seu ambiente, no âmago mais profundo das suas
células.
A criança absorve a realidade energética do
ambiente mais próximo, geralmente o dos pais, e a vivencia como realidade. Por
outro lado, ainda existe aquele “pedaço de céu” dentro dela, aquele centro de
existência pura e incondicional, que não é afetado pelas ilusões
De uma certa forma, essas realidades energéticas
colidem, mas a criança esconde isso de si mesma, pois esse conflito é muito
doloroso de ser experienciado neste estado tão vulnerável em que a criança se
encontra, quando recém nascida. Para esconder de si mesma essa colisão, esse
conflito interno, a criança passa a agir de acordo com o seu ambiente. Ela quer
encontrar, nesse ambiente, a confirmação das energias de amor, unidade e
maestria, que ainda estão presentes dentro dela, no seu estado natural. A
criança ainda é o mestre da sua realidade, ela se sente unida e una, ela tem
amor, mas ela quer que isso seja confirmado pelo seu ambiente. Ela começa a
procurar essas confirmações, mas geralmente recebe mensagens confusas como
resposta do seu ambiente.
Seus pais realmente querem lhe dar amor, mas
também existe muito medo dentro deles. Ainda existe muita energia bloqueada,
que não consegue fluir, que eles não se permitem deixar fluir. Existe também,
nos pais, um anseio, uma sensação de saudades da sua própria maestria, do seu
amor, da sua ligação natural com Tudo Que É, mas eles perderam este estado
mental há muito tempo. Eles ficaram tão acostumados à vida na Terra e às suas
ilusões, que começaram a enxergar essas ilusões como reais.
Então, involuntariamente, os pais vão criar a
criança com energias que a confundem. E mais uma vez, até um certo ponto os
pais não podem ser culpados por isso, no sentido de que, em um nível
consciente, eles geralmente estão tentando dar o melhor para o seu filho.
Ao nascer uma criança, muitas vezes os pais têm
uma abertura para mais luz e amor. Nesse momento, um centro de amor divino,
incondicional, que existe dentro dos pais, é tocado. Eles sentem a sacralidade
do nascimento e do pequeno ser que se entregou, com toda confiança, a eles e à
vida. No nascimento de uma criança, os corações dos pais estão totalmente abertos,
e eles estão em contato com o ser divino, sagrado, deles mesmos. Mas isto
geralmente é temporário, porque logo depois tudo começa a se assentar, a ser
envolvido outra vez pela realidade energética dos pais, que existia antes do
nascimento da criança. E assim, a abertura para a realidade baseada no
coração, que havia se apresentado, pode
fechar-se novamente, e geralmente se fecha. Os pais voltam para suas antigas
formas de pensar, de sentir e de querer.
E o que acontece, então, com a criança que começa
a crescer?
As crianças, na sua maioria, escolhem adaptar-se
tão firmemente ao paradigma dos pais, que perdem contato com a energia original
das suas almas, da qual elas ainda estavam bem conscientes no começo de suas
encarnações Nesta primeira fase da vida (até a puberdade), elas estão tão
envolvidas e focadas neste mundo, em conseguir o amor e a atenção dos seus
pais, que elas mesmas se esquecem de quem elas são.
A criança tem um desejo desenfreado por amor e
intimidade, e quando seus pais não lhe proporcionam isso num grau suficiente,
ela se volta para trás para consegui-lo de alguma forma. E assim cria imagens
ilusórias do amor. Ela começa a confundir certas energias com amor, por
exemplo, o orgulho que os pais sentem quando o filho consegue fazer alguma
coisa que o mundo exterior considera esperto ou bem feito. Este tipo de orgulho
paterno realmente não tem nada a ver com a criança em si. Não é o orgulho por
uma realização interna, mas por um desempenho externo, que não se origina,
necessariamente, dos impulsos internos da criança. Mas a criança pode
crescer enxergando esse orgulho como
amor. E mais tarde, na sua vida, geralmente ela vai trabalhar muito duro e não
vai entender, como um adulto, por que ele tem essa premência de trabalhar tão
duro o tempo todo, por que o trabalho se tornou um vício para ele.
Uma segunda distorção, ou imagem ilusória do amor, é
quando a criança começa a confundir amor com dependência emocional. Muitos pais
vivenciaram, eles mesmos, a falta do verdadeiro amor na sua infância. Eles não
se sentiram verdadeiramente recebidos numa atmosfera de calor humano e
segurança. Então, quando eles têm seus próprios filhos, eles os envolvem com
sinais confusos. De um lado, existe amor genuíno, mas de outro, existe a
necessidade subconsciente de compensar a perda. Os pais tentam curar a sua
própria ferida emocional, encontrando o amor e a segurança emocional que eles
não tiveram no passado, através do relacionamento com seu filho. Quando isso
acontece, a criança recebe sinais muito confusos dos seus pais.
Energeticamente, as mensagens “eu te amo” e “eu
preciso de você” ficarão indissoluvelmente entrelaçadas. Com esse
entrelaçamento, que vocês podem imaginar como uma espiral de cordas torcidas, a
criança começa a associar amor com necessidade. Essa ligação ou ilusão é o
começo de um relacionamento emocional de dependência entre os pais e a criança,
que pode ter um resultado muito destrutivo, não só no relacionamento pai-filho,
como também, a longo prazo, nos relacionamentos íntimos que essa criança terá
como um adulto.
No relacionamentos que terá com outros adultos,
ele ou ela poderá facilmente começar a pensar que “ser necessário” é um
ingrediente essencial do amor naquele relacionamento. Poderá, então, começar a
interpretar os sentimentos de dependência, e até o ciúme e a possessividade,
como formas de amor, quando, na verdade, essas energias são diametralmente
opostas ao amor.
Resumindo a primeira parte deste material, você
vê que, ao nascer, você aterrissou num paradigma paterno que no começo –
digamos, na primeira parte da sua vida – lhe causará uma grande confusão. Você
é como que “levado para o caminho errado” até que, num determinado ponto,
começam a aparecer oportunidades e possibilidades na sua vida que o levam a
investigar, a desatar o nó. Você pode, então, passar por uma crise de
identidade, onde não existe mais certeza de nada e você está constantemente em
dúvida sobre quem você é e sobre quem você não é. Isto foi descrito na série
Trabalhadores da Luz, como a primeira fase da transição do ego ao coração.
O verdadeiro desligamento das suas ilusões e
falácias ocorre quando você entra em contato com a energia do seu coração,
também descrita na série Trabalhadores da Luz. Em relação aos seus pais, isto
significa ser capaz de realmente liberá-los e perdoá-los internamente, e
começar a seguir o seu próprio caminho.
Num certo sentido, você foi a vítima dos seus
pais, já que, nas sua infância, seus pais representaram a consciência baseada
no ego. Você viveu temporária e parcialmente de acordo com as ilusões deles. De
uma certa forma, sendo filho deles, você não tinha outra escolha. Entretanto,
transcender este estado de ser a vítima é uma das rupturas mais poderosas que
você pode ter na vida. Você se torna uma pessoa livre quando você reconhece as
impressões energéticas mais profundas da sua infância pelo que elas são e então
decide quais as que lhe convêm e quais as que você prefere abandonar. Isto é
maestria.
Então você não se adapta mais subconscientemente
aos desejos e anseios dos seus pais, quando eles não são seus próprios. Ao
mesmo tempo, você também não se rebela mais contra eles. Você pode ver as
impressões que não lhe convêm simplesmente como algo que não pertence a você, e
ponto final. Você não precisa mais julgar os seus pais por terem oprimido você
com esses aspectos. Você não precisa mais lutar contra eles.
Você é apresentado à consciência baseada no ego
através dos seus pais e você transcende-a também através dos seus pais,
liberando-os com amor e perdão e reconhecendo-se como o mestre independente que
você é. Esta é a afirmação da sua maestria, a conscientização de que você é o
criador da sua vida e de tudo que você escolheu, inclusive os caminhos errados
que você tomou.
Os Trabalhadores da Luz e seus pais
Neste ponto, Eu gostaria de falar
especificamente sobre as almas dos Trabalhadores da Luz. Quando nascem, eles
também mergulham no paradigma dos pais que eles mesmos escolheram como almas.
Mas os Trabalhadores da Luz geralmente carregam consigo uma atribuição extra em
relação aos seus pais e ao paradigma paterno.
Quando os Trabalhadores da Luz vêm para a Terra,
eles têm a intenção de plantar as sementes, os brotos da consciência Crística,
a energia da Nova Era. Num sentido mais forte ainda que as outras almas, os
Trabalhadores da Luz estão determinados a realizar o paradigma do coração na
realidade terrestre. Por esta razão, especificamente – e isto pode parecer um
paradoxo – muitos Trabalhadores da Luz escolhem encarnar em famílias onde
existe muita escuridão. Com escuridão, Eu quero dizer simplesmente as ilusões
das quais falei há pouco, as três ilusões que levam à perda da sua maestria, à
perda da sua verdadeira unidade, à perda do amor.
Assim, quando os Trabalhadores da Luz vêm para a
Terra com uma consciência desenvolvida, um refinamento ou “antiguidade” nas
suas almas, eles acabam em famílias onde algo está acontecendo, onde uma
determinada ilusão está sendo experienciada ao extremo. Pela natureza da sua
missão, os Trabalhadores da Luz são como um ímã voltado para situações onde a
energia tornou-se bloqueada, onde a energia está estagnada como num
beco-sem-saída. Eles sentem que é sua tarefa ajudar a energia a fluir outra vez
ali. E é por isso que os Trabalhadores da Luz muitas vezes nascem em famílias
difíceis.
Quando começam a vida, os Trabalhadores da Luz
geralmente confiam firmemente em que vão
encontrar a saída, em que vão superar aquela energia limitadora. No entanto,
quando eles nascem e crescem, eles são expostos aos mesmos dilemas e confusões
que qualquer outra criança. Num certo sentido, eles até experienciam essa
confusão mais profundamente e mais fortemente. Como eles carregam consigo muito
da energia do Lar, eles colidem (internamente) de frente com os padrões de
energia bloqueada do seu meio ambiente e isso fere-os profundamente. Portanto,
existe um certo risco envolvido na jornada do Trabalhador da Luz a esses
lugares de escuridão e erro. É uma missão perigosa. Não se esqueçam porque Eu
os chamo de bravos guerreiros – é por esta razão.
O seu nascimento aqui é uma aterrissagem numa
paisagem inóspita, trazendo apenas o seu conhecimento interno como bagagem. Há
uma baixa ressonância com o meio ambiente e pouco reconhecimento e consciência
de quem você é. Como um Trabalhador da Luz, você é um pioneiro que quer redirecionar
alguma coisa, mudar alguma coisa, e você é sempre o primeiro a fazer isso nesse
ambiente. Então, você não encontra logo os seus pares. E isso magoa, isso é
difícil para uma alma humana. Como uma entidade espiritual, você escolheu
conscientemente este caminho, mas como um ser humano, como uma criança, isto
pode ser muito duro para você. É por isso que eu recomendo insistentemente que
vocês sintam e reconheçam essa dor em vocês mesmos, porque só assim vocês
poderão lidar com ela e libera-la. É a dor da criança que não tem lar e nunca
encontra o reconhecimento da sua singularidade. A criança é um estranho naquele
ambiente. Os Trabalhadores da Luz passam por isto muito mais que os outros,
primeiro porque eles são muito “diferentes” e, segundo, porque eles procuram um
ambiente onde essa forma diferente de ser não seja reconhecida ou seja aceita
com dificuldade.
Toda a jornada da criança para a idade adulta, e
até para a velhice, pode ser vista como um desafio para reencontrar a sua
própria e inata luz interior. O desafio é começar a saber e a sentir outra vez,
no fundo de você mesmo: “Este sou eu, e isto é o que eu vim trazer aqui.”
Isto é especialmente verdadeiro para os
Trabalhadores da Luz. A primeiro dever de vocês é tornar-se quem vocês são.
Fazendo isso, vocês cumprem sua missão. Não é sua tarefa melhorar o mundo. A
tarefa de vocês é encontrar a si mesmos. E aí sim, o mundo tornar-se-á um lugar
melhor para isso, porque a sua Luz brilhará de uma forma natural. Mas vocês não
precisam trabalhar para isto, isto simplesmente acontecerá.
O verdadeiro trabalho é se desapegar de todos
esses pedaços do paradigma do ego (medo, ilusão), que vocês absorveram tão
profundamente enquanto crianças, no primeiros três meses e depois.
Este desapegar-se é uma tarefa intensamente
pesada. Não quero desencoraja-los, dizendo isso. Quero, sim, ensina-los a ter
um grande respeito por si mesmos e dizer-lhes que vocês são os guerreiros mais
corajosos que eu conheço. O desafio é ser tudo o que vocês podem ser, num meio
ambiente que não é o de vocês. Este é o trabalho do pioneiro, aquele que
pavimenta ao caminho para uma nova consciência aqui na Terra.
Resolvendo o carma familiar.
Nos textos que foram colocados anteriormente do
site (a série Trabalhadores da Luz), Eu falei bastante sobre os passos que
vocês devem dar para se desprenderem da consciência baseada no ego e começarem
a se movimentar em direção à vida baseada no coração. Por isso, não vou entrar
nessas questões aqui. O que Eu quero é falar alguma coisa especificamente sobre
o seu relacionamento com os seus pais e relacionar isto com o exercício de
meditação que Gerrit fez no começo (este não foi transcrito).
É importante que vocês se conscientizem de todos
os sentimentos envolvendo a relação com seus pais, particularmente os
sentimentos que a sua criança interior tem por eles. Entretanto, também pode
ser muito instrutivo inverter os papéis, como acontece nesse exercício (nesse
exercício, vocês encontram os seus pais, sendo eles crianças). Coisas das quais
vocês não suspeitavam podem vir à luz.
O papel invertido carrega a semente da verdade
dentro dele pois, em essência, vocês são (também) os pais dos seus pais. A
intenção de vocês era fazer o papel de pais, quando vocês vieram para a Terra
nessa família específica: vocês queriam levar seus pais a algum lugar, ou
afasta-los de alguma coisa; vocês queriam leva-los a crescer para uma realidade
mais luminosa.
Muitas vezes vocês pensam que falharam nessa
questão. Vocês acham que não deu certo, que vocês não foram capazes de ajudar
seus pais da forma que haviam imaginado.
Mas, isso não é verdade.
A questão é entender verdadeiramente o que
significa “ajudar”. Isso funciona da seguinte forma:
Ao nascerem, vocês aterrissam num paradigma ao
qual vocês não pertencem essencialmente. Mas vocês começam a viver de acordo
com ele, vocês o absorvem tão intensamente, que ele acaba fazendo parte de
vocês. Ele torna-se parte de vocês a tal ponto, que vocês realmente não sabem
mais o que é seu e o que não é. Subconscientemente isso fere-os e leva-os a um
conflito interno. Enquanto vocês se transformam em adultos, vocês podem
escolher conscientizar-se dessa dor e trabalhar com ela. Então vocês entram no
caminho do crescimento interior e da conscientização, e se apercebem de níveis
cada vez mais profundos de dor interna, curando-os. A dor de não serem
reconhecidos, a dor da solidão – todas essas peças vêm à tona.
E enquanto vocês estão fazendo isso, estão
cumprindo a sua tarefa. Vocês estão ajudando os seus pais, não direta, mas
indiretamente. O que vocês estão fazendo, de fato, é construindo um caminho,
uma trilha energética. Vocês estão subindo para fora de um certo vale, uma área
escura onde determinadas ilusões governam, e estão deixando uma trilha atrás de
si. Essa escalada exige uma tremenda quantidade de esforço e energia. E essa é
a sua missão, a tarefa que vocês estabeleceram para si mesmos. Ao clarearem o
caminho, a “trilha da solução” torna-se energeticamente disponível para os seus
pais, para a sua família e para todos que quiserem usa-la, ou seja, todos que
estão num impasse podem usar a energia da solução, que vocês disponibilizaram
através da sua escalada para fora das profundezas. (Sobre o conceito de
“energia da solução”, veja também “Armadilhas no caminho de tornar-se um curador”)
Assim, a trilha que vocês constroem para si
mesmos, no caminho para a sua própria iluminação, para a sua própria alegria, é
o cumprimento da sua tarefa. Não é tarefa de vocês carregar também seus pais ou
outras pessoas junto de vocês, ou nas suas costas. Esta não é a sua tarefa. A
tarefa de vocês é construir uma trilha energética, o que vocês fazem através do
seu próprio crescimento interior e desapegando-se.
O conceito de carma familiar, que é usado nos
círculos esotéricos, pode levar a mal-entendidos nesse sentido. No caso do
carma familiar, deve haver um carma que vai além do individual, um carma que pertence à família e
que um membro da família (um Trabalhador da Luz, obviamente) poderá tomar para
si mesmo. É realmente verdade que uma determinada questão e determinados
problemas podem se repetir muitas e muitas vezes, dentro de uma família,
podendo vir de muitas gerações anteriores. Isso pode, inclusive, ter
implicações genéticas. Esses problemas estão procurando uma solução em um
determinado nível, e serão passados adiante até que a solução aconteça.
Numa determinada linha familiar, muitas almas –
não só de Trabalhadores da Luz – recebem, no nascimento, uma parte do carma que
pertence à família. Geralmente os Trabalhadores da Luz escolhem isto mais ou
menos conscientemente, e têm o objetivo explícito de contribuir para a
liberação ou desbloqueio de uma energia bloqueada
Mas essa contribuição não implica na sua
obrigação de libertar a sua família desse carma. É para vocês libertarem a si
mesmos desse carma. Ao fazerem isso, vocês criam um espaço energético de
possibilidades, que os outros poderão usar, se quiserem. Os outros também podem
escolher não fazer isso; esse é um direito deles e isso é algo que vocês têm
dificuldade de soltar.
Algumas vezes vocês realmente têm a idéia de que
precisam figurativamente arrastar seus parentes ou entes queridos montanha
acima; que o sucesso da sua missão realmente depende das mudanças que ocorrem
na vida de outras pessoas. Mas isso não é assim.
Estes outros, estas pessoas que vocês amam e
querem tanto levar para a Luz, ainda podem viver alguns séculos no vale. Mas
algum dia eles vão descobrir uma pequena trilha que sobe a montanha e vão
pensar: “Ei, isso é interessante! Sinto que é bom experimentar isto. Eu realmente
não estou vivendo muito bem aqui embaixo.” E então eles irão para fora do vale.
Eles seguirão seu próprio caminho de crescimento interior, sua própria escalada
para a Luz. E não é maravilhoso, não é fantástico, que haverá uma trilha para
eles seguirem?
Eles seguirão seu próprio caminho, mas haverá
sempre um farol. Um caminho foi pavimentado para eles, de modo que lhes será
mais fácil dar esses passos. Graças a vocês. Esta é a tarefa de vocês; este é o
papel do pioneiro: abrir caminho através de uma terra inculta, através de algo
que ainda não foi conquistado ou mapeado.
Quando vocês conseguem se desfazer das três
ilusões, quando vocês conseguem deixar as energias da maestria, da unidade e do
amor fluir em suas vidas, vocês entram em contato com o coração e vivem a
partir de uma consciência baseada no coração. E então, vocês podem se desapegar
do velho paradigma e, num certo sentido, abandonar os seus pais. Não
literalmente, mas internamente. Abandonar seus pais internamente significa
libera-los para que eles sejam quem eles são, não mais tentando muda-los,
compreendendo que não é sua tarefa leva-los literalmente a nenhum lugar. A
tarefa de vocês está feita; vocês construíram um caminho, com amor. Foi para
isso que vocês vieram aqui, vocês não falharam.
Vocês verão que, depois desse adeus interior, o
relacionamento com seus pais ficará menos estressante, as energias de luta,
reprovação e culpa poderão deixar o cenário.
No seu ambiente mais próximo, poderão então
aparecer outras pessoas que fazem parte daquilo que vocês podem chamar de sua
“família espiritual”. Sua família espiritual não tem nada a ver com biologia,
genes e hereditariedade. Ela se refere a almas afins. Geralmente são almas que
vocês conhecem de vidas passadas. Geralmente vocês têm uma ligação de amizade
com elas. Quando vocês encontram alguém assim, vocês podem ficar espantados com
a facilidade com que o contato acontece e com a rapidez com que vocês se
reconhecem em todos os aspectos.
No começo, você passaram por tantas dificuldades
para serem capazes de conviver com o fato de serem diferentes. Muitas vezes
vocês tiveram a sensação de “não se ajustarem”, mas quando vocês realmente se
desapegam do seu antigo paradigma, algumas pessoas chegam no seu caminho, com
as quais o fato de vocês “serem diferentes” é justamente o que estabelece o
contato, o que faz vocês sentirem o “clique”. Isto lhes dá uma grande alegria e
satisfação. É a energia da sua verdadeira família, seus companheiros de alma,
com os quais vocês encontrarão o reconhecimento que vocês procuraram durante
todo este tempo. Quando vocês conseguem reconhecer a si próprios
independentemente de quem quer que seja, então essas amizades e relacionamentos
enriquecedores poderão aparecer na sua vida automaticamente e com perfeita
facilidade.
© Pamela Kribbe 2005
www.jeshua.net
Tradução para o português: Vera Corrêa.
Revisão: Luiz Corrêa
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